Resenha: Swords of Eveningstar

PenaPenaPena

Saiba antes de ler: não sou crítico literário nem detentor da verdade absoluta. O texto abaixo relata as impressões que tive após a leitura deste livro e não traz quaisquer revelações quanto ao enredo.

Eu não recomendaria este livro para qualquer um e isto por 3 razões. Primeiro, o enredo se desenvolve num mundo criado para jogos de RPG; como tal, o autor Ed Greenwood (que também é o criador do cenário de campanha Forgotten Realms ou Reinos Esquecidos) assume que o leitor esteja familiarizado com muitos aspectos deste mundo e com muitas de suas personalidades.

Segundo, a estrutura da narrativa é fragmentada e, por vezes, confusa demais – num mesmo capítulo acompanhamos as peripécias dos protagonistas numa masmorra, uma conversa entre magos espiões, as maquinações de um boticário, a vigilância de um ser misterioso, etc. É preciso ter paciência e muitas vezes reler alguns capítulos para não perder o fio da meada.

Terceiro, o leitor é massacrado por uma miríade de personagens de nomes esdrúxulos e cenas paralelas que nada acrescentam à trama principal; este excesso acaba por tornar a leitura chata em diversos pontos. Além disso, muitas personalidades dos Reinos Esquecidos parecem estar lá apenas como figurantes de luxo.

O livro se propõe a narrar as primeiras aventuras dos Cavaleiros de Myth Drannor, um grupo de heróis de renome do cenário. Aqueles que jogaram alguma partida de RPG em Forgotten Realms já devem ter trombado com estas figuras e se interessado por suas origens. Tal história, porém, não é das melhores. Os protagonistas, os tais Espadas de Estrela Vespertina (Swords of Eveningstar), parecem perambular por aí aguardando que os acontecimentos os encontrem. Eles não passam de joguetes nas mãos da nobreza e dos vilões, o que poderia até ser interessante, desde que houvesse uma boa razão para tamanho interesse neles, o que não notei em momento algum. Ora, as motivações dos próprios vilões nunca ficam realmente claras.

O autor é uma figura curiosa.

A primeira parte do livro é excessivamente focada nos personagens Florin e Narantha, que passam páginas e páginas vagando por uma floresta – até a cento e pouco, se não me engano; isso num livro de 400 páginas! Quando surgem os outros protagonistas, o livro se torna mais interessante: Seemor Wolftooth tem as melhores tiradas, ao passo que Doust Soulwood está totalmente apagado; a ladra Penae tem uma participação maior até o final, enquanto Florin, pretenso líder do grupo, praticamente desaparece – o que achei interessante, visto que Penae parece ter bem mais experiência que o rapaz. Jessail Silvertree é razoavelmente interessante, mas Islif Lurelake e os outros apenas estão lá.

Os vilões são indivíduos tão misteriosos que nunca fica claro o que eles realmente querem, exceto, talvez, por Horaundoon, um dos primeiros a dar a cara e o que mais me despertou a atenção – infelizmente, ele também praticamente desaparece do meio para o final. Feiticeiros e os Zhentarim, um bando criminoso infiltrado por toda parte, dominam a cena, mas também não despertam qualquer interesse – ou revelam sua intenções.

Só comecei a me interessar mesmo pela história lá pela página 300 e tanto. Contudo, quando eu esperava que a trama engrenasse, ele acabou abruptamente. A conclusão me pareceu forçada; no fim os protagonistas fizeram um bom trabalho, é verdade, mais achei sua recompensa exagerada. Também pouco me importei com o trágico destino de um personagem – que, acredito, poderia ter sido facilmente remediado com uso da magia.

E por falar em magia, aqui ela é escancarada. Todo jogador de RPG sabe que Forgotten Realms é um mundo de alta magia, isto é, ela faz parte do cotidiano das pessoas. Contudo, eu nunca havia compreendido tal afirmação até ler este livro – todo mundo parece ter no mínimo um item de grande poder, especialmente os nobres. Curiosamente, os heróis não possuem um item sequer, o que é interessante – começo mais humilde é impossível.

Aqueles que estão familiarizados com jogos de RPG verão no livro um relato de campanha e nada mais; ele não se sustenta como um bom romance, a exemplo de títulos como O Inimigo do Mundo (baseado no cenário de RPG Tormenta), de Leonel Caldela. Partindo desta visão e considerando minha estima pelo cenário, além do fato de que os protagonistas foram bem caracterizados, eu concedo 3 penas-tinteiro (ou estrelas) para Swords of Eveningstar.

E esta é a humilde opinião de um escriba.

Nota: eu já tenho os outros dois títulos da série, mas não me sinto tão empolgado para lê-los após minha experiência com o primeiro livro.

Para saber mais:

  1. The Twelve Days of Ed Greenwood: uma interessante entrevista com o autor conduzida pelo editor, amigo e também escritor J. Robert King (em inglês).
  2. ISFDB – Bibliografia de Ed Greenwood: listagem de livros e histórias publicadas pelo autor (em inglês).
  3. Ed Greenwood on Facebook: curiososo sobre o que o autor anda aprontando? Acesse o perfil dele (em inglês)!
  4. d3Store – Compre a trilogia Knights of Myth Drannor: este ótimo e confiável site de compras tem a trilogia completa por um precinho bem camarada.
  5. Os Cavaleiros de Myth Drannor – UDG: saiba mais sobre este grupo de aventureiros neste site nacional especializado em RPG e no cenário de Forgotten Realms (contém spoilers).

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