7 coisas que aprendi – por Alvaro Domingues

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje.  Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, o escritor publicado Alvaro Domingues, do Blog do Pai Nerd.

  1. Ler de forma diversificada.

    Eu acredito que um bom escritor começa por um bom leitor. Se você gosta de um gênero, por exemplo, ficção científica, leia este gênero, mas não fique só nele. Leia os gêneros afins, leia mainstream, leia outros gêneros, leia poesia, jornal, revistas. Seu universo de leituras tem que ser maior do que aquilo que você pretende escrever. E leia seus colegas de gênero. Se você quer ser lido, deve ler quem está produzindo o mesmo que você.

  2. Pesquisar o tema sobre o qual está escrevendo

    Mesmo que você esteja escrevendo fantasia, uma pesquisa deve ser feita. Isso é particularmente verdadeiro na Ficção Científica, onde a verossimilhança, mesmo num futuro distante,  ou num passado remoto, é extremamente importante. Mas não só nela.

    Em A Guerra dos Tronos, há muitas batalhas, e algumas delas foram inspiradas em batalhas reais, que ocorreram em outro contexto. Em um texto de fantasia pode haver pesquisa em mitos e lendas de vários povos. Se não for usada diretamente, serve de fonte de inspiração.  Se for escrever retrofuturismo, a época retratada tem que ser verossímil, ainda que se use muita liberdade em alterá-la.

  3. Aprenda a sua arte

    Músicos estudam música. Bailarinos estudam dança. Pintores, técnicas de pintura. Por que quem escreve acha que não tem que aprender nada além das aulas do português do segundo grau? Hoje há muitas ofertas de oficinas de escrita disponíveis, livros escritos sobre a arte de escrever e até cursos superiores voltado diretamente para arte de escrever (não estou falando sobre o tradicionais cursos de Letras ou de Jornalismo, mas sim cursos para formar escritores).

    É certo que muito disso se prende a técnicas que as vezes podem funcionar como uma camisa de força, mas é como fazer versos sem seguir regras, não por criatividade, mas por não as conhecer. Gosto de citar uma frase atribuída a Adoniram Barbosa (sambista famoso por usar o falar popular em suas letras): “Para falar o português errado, é preciso conhecer muito bem o português”.

  4. Não tenha medo da crítica

    Você publicou seu conto em uma coletânea e uma boa quantidade de críticas foram publicadas na internet e algumas colocaram seu texto como ruim. Já vi muita gente tomar isso como pessoal e rebater a crítica violentamente, tentando desqualificar o crítico.

    É sinal de maturidade ouvir críticas e filtrar o que for relevante. Se a crítica for embasada, veja em que pontos o crítico tem razão e utilize isso para melhorar o seu texto. Se ela for apenas “não gostei”, deixe pra lá. Você simplesmente não consegue agradar todo mundo. Se o crítico quis provocá-lo, não responda e não entre em polêmica.

    Se achar necessário, entre em contato com o crítico e faça uma defesa, mas sem levar para o pessoal.

    E se você for crítico, aceite a crítica da crítica. Eu também faço crítica e já mudei de ideia após conversar com outra pessoas (à vezes com o próprio autor), me reposicionando por estar equivocado.

  5. Procure um ou mais Leitores Beta

    Um leitor beta é alguém pra quem você mostra seu conto e que vai fazer o papel de um crítico, apontando falhas ou pontos positivos. Escolha bem este leitor. Tem que ser alguém que não tenha medo de apontar suas falhas ou ser demasiado generalista dizendo “está excelente” ou “é uma merda” sem mostrar por quê. Costumo dizer que não vale o cônjuge que vai achar tudo uma maravilha, ou a sogra , que vai achar tudo ruim.

  6. Não faça concessões

    Se você acredita naquilo que está escrevendo, escreva. Não tema desagradar conservadores e defensores da “moral e bons costumes” e nem defensores radicais de uma determinada ideologia (por exemplo, os ecochatos).

    Há alguns riscos neste postura: você ser criticado pelo que pensa, não pelo que escreveu (o livro de fulano é ruim por ser politicamente incorreto, por exemplo). E às vezes cobrado como se fosse sua a postura de um determinado personagem. Heinlein escreveu O Estranho numa Terra Estranha (considerado ideologicamente de esquerda) e Tropas Estelares (considerado ideologicamente de direita), quase juntos. Ele foi criticado por ser ambíguo. Sua resposta: “só escrevi sobre duas sociedades futuras possíveis”.

    Mas se fizer concessões, seu texto ficará pasteurizado, “cheio de dedos” e quase sempre, literariamente fraco.

  7. Não tema a rejeição

    Você está com seu original na mão e vai mandar para algumas editoras. Manda-o e fica de olho na caixa do correio ou no seu e-mail. E a resposta não vem e se vem é um padrão (estamos  analisando ou seu livro não se enquadra em nosso padrões). Continue tentando. Se a resposta não vier, coloque partes do seu livro na internet, participe de concursos, participe de eventos, faça amizades no meio, torne-se visível, ajude outros a se tornarem visíveis. Isso não é garantia de nada, mas um começo. No mínimo você vai conhecer bastante gente interessante.

Sobre o autor

Álvaro Alípio Lopes Domingues é contista, cronista, resenhista e poeta. É também blogueiro, mantendo o Blog do Pai Nerd e o blog Sombras e Sonhos.

Colaborou também nos sites Blocos On Line, no Projeto de mini e micro contos da Fábrica de Sonhos e PODespecular. Tem contos publicados na revista Bits, na revista Nossas Edições e nos fanzines Sommium e Adorável Noite.

Foi editor das revistas Microhobby e MSX Micro e redator na revista Nova Eletrônica. Publicou, pela Balão Editorial, o livro de contos Sombras e Sonhos e participou da coletânea Time Out, da Editora Estronho.

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.

Continue a escrever aqui.

4 respostas para 7 coisas que aprendi – por Alvaro Domingues

  1. adilson disse:

    Concordo plenamente contigo! Sou autor de blog e tudo que mais desejo é ser lido; essa é a minha maior preocupação! Fico desanimado quando vou ver as estatísticas do dia, e vejo que estar um pouco abaixo do pretendido!

    Felizmente são favoráveis as criticas que tenho recebido! Também me preocupo com seguidores, gostaria de ter um nº maior do que tenho hoje! Fico “p” da vida quando fico sem assunto, me bate um desespero quando chega o dia de postar algo e ainda não tem nada pronto!

    Tenho me preocupado em ser visitado, seguido; no entanto, tenho visitado, lido muito pouco meus colegas de blog e gênero; vou estudar e pesquisar mais, fazer tudo conforme você tem sugerido!

    Mais obrigado pelas dicas, e parabéns!

    • T.K. Pereira disse:

      Adilson,

      Não se deixe abater pelas estatísticas, pelo contrário, use-as a seu favor: normalmente, elas revelam os tópicos que mais tem interessado aos leitores. Apenas cuide para não permitir que elas te restrinjam demais. Não deixe de escrever algo que queira apenas porque não atrai tantos visitantes.

      Na verdade, o número de seguidores deve ser a menor de suas preocupações. Concentre-se em produzir conteúdo de qualidade e verá que alguém sempre se interessará pelo que você tem a dizer.

      As dicas do Álvaro estão entre as minhas favoritas, mas não deixe de conferir também as dos demais colegas escritores. Há muitas preciosidades por aqui, inclusive tratando de questões como falta de inspiração e prazos. 🙂

      Abraços,

  2. Simone Vale disse:

    Nossa, essas dicas do “7 coisas que aprendi” são de enorme valor.
    Parabéns, Álvaro, e obrigada.