Contos para ler durante o cafezinho

Imagine contar uma história em um único parágrafo. Este é um desafio ao qual se lançam os escritores de microcontos, gênero pouco difundido fora do universo digital da Internet. Topei com a primeira referência a esses há mais de um ano: em entrevista a um jornal, o escritor pernambucano Marcelino Freire almejava publicar mil contos no Twitter – cada um deles com não mais do que os 140 caracteres permitidos.

Um microconto é uma narrativa curta, mas sua essência não é a extensão, é a concisão: deve-se transmitir uma mensagem clara utilizando poucos recursos. A ideia é fascinante, mas não é novidade. O hondurenho Augusto Monterros (1921-2003) escreveu O Dinossauro com apenas sete palavras: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”. O escritor americano Ernest Hemingway (1889-1961) elaborou uma história em seis palavras: “Vendo: sapatos de bebê, nunca usados” – curiosamente, ele dizia ser esta a sua melhor obra.

Em 2006, a revista Wired homenageou Hemingway com a publicação de várias historietas de seis palavras escritas por personalidades das artes como Alan Moore, Frank Miller, Kevin Smith, William Shatner, Stan Lee. Já no Brasil, Marcelino organizou, em 2004, uma coletânea intitulada Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, com textos de Millôr Fernandes, Dalton Trevisan – dito precursor do formato no país –, e outros.

Embora desconheça publicações semelhantes, encontrei diversos sites e perfis no Twitter dedicados à escrita de microcontos, o que demonstra que este gênero tem atraído cada vez mais adeptos. Decidi participar da “brincadeira” e publiquei treze microcontos em meu perfil – aproveitando todos os 140 caracteres, obviamente.

Como isto faz tempo, eu os disponibilizarei no blog para a apreciação dos que não tiveram a chance de lê-los. Espero que gostem. A propósito: não tenho ideia se Marcelino alcançou sua meta, mas quem estiver disposto a garimpar suas historietas deve conferir o link de sua conta abaixo.

Microamostras

7 microcontos publicados pela Wired. Leia mais no site da revista.

Tempo. Inesperadamente, inventei uma máquina do”.

Alan Moore

“Tipo sanguíneo do bebê? Humano, principalmente”.

Orson Scott Card

“Kirby nunca tinha comido dedões antes”.

Kevin Smith

“Bombas-H lançadas; todos nós morremos”.

Howard Waldrop

“Dorothy: – Dane-se, ficarei por aqui.”

Steven Meretzky

“Clones exigem direitos: segunda Proclamação Libertária”.

Paul Di Filippo

“Com mãos sangrentas, eu dou adeus”.

Frank Miller

Para saber mais:

  1. Microcontos na era do Twitter: artigo publicado pela revista Carta Capital. Recomendadíssimo, principalmente por abordar as características do gênero.
  2. Prévia de Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século: leia alguns trabalhos da coletânea de Marcelino Freire no Google Books.
  3. Histórias muito curtas: artigo da revista Wired que reúne histórias de seis palavras escritas por diversas personalidades em  homenagem a Ernest Hemingway (em inglês).
  4. Ossos do Ofídio: blog do escritor pernambucano Marcelino Freire.
  5. Marcelino Freire no Twitter: acompanhe o cotidiano do escritor pela rede social.
  6. Penates, por Tiago Morales: mais de 400 microcontos já publicados!
  7. Portal dos Microcontos: reúne links para sites de diversos escritores.
  8. Microcontos no Twitter: acompanhe, em tempo real, os textos publicados por vários escritores na rede social.
  9. Curta Conto: perfil no Twitter que reúne diversos microcontos.

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Uma resposta para Contos para ler durante o cafezinho

  1. […] Contos para ler durante o cafezinho: artigo onde falo um pouco sobre microcontos (vale a pena conferir as muitas referências por lá). […]