7 coisas que aprendi – por Francine Cruz

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje.  Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, trazendo conselhos preciosos, uma das primeiras leitoras do blog e agora escritora publicada, Francine Cruz.

Há algum tempo publiquei um texto em meu blog contando um pouco da minha caminhada literária. Hoje, quero retomar partes desse texto acrescentando novas experiências para compartilhá-las com vocês. Eis algumas coisas que aprendi nesses primeiros anos da minha caminhada literária.

  1. Colocar mãos à obra: a primeira coisa que aprendi quando pensei em escrever um livro, claro, foi colocar mãos à obra e começar a escrever. Ideias todo mundo tem, mas organizá-las e colocá-las no papel é para poucos.

    Não é fácil escrever um livro, é preciso muita disciplina, dedicação e esforço. Muitas pessoas começam, poucas terminam. Se você quer ser escritor, precisa encarar isso como um trabalho e batalhar muito!

  2. Montar um esqueleto da obra: uma coisa que me ajuda muito a não desistir é montar um esqueleto da obra com os eventos e personagens principais. Isso me dá um norte e ajuda quando chega o bloqueio criativo. A partir da ideia inicial, começo a imaginar as personagens, o local onde a história se passará, quem serão os mocinhos e vilões, qual será o tema central, etc.

    Elaboro um esqueleto da história com a forma que eu gostaria que ela começasse, tivesse andamento e terminasse. Sei que alguns autores começam a escrever sem saber onde a história os levará, mas eu não sou assim.

    Claro, durante o processo algumas ideias mudam, as personagens começam a ter vida própria e nos guiam para lugares onde não esperávamos que as colocaríamos, mas isso só é possível porque no início eu já tinha um rumo. Depois de fazer o esqueleto tudo fica mais fácil. O caminho está traçado, só é preciso criar os meios de se chegar até o final.

  3. Aperfeiçoar a inspiração usando a técnica: meu método de escrita é bem intuitivo, as ideias podem vir de alguma cena que vejo na minha vida real, na vida de amigos, na TV, ou, na maioria das vezes, de algum sonho que tive. Porém, para saber como colocar isso no papel da melhor maneira, é necessário conhecer algumas técnicas (como criar cenas, como desenvolver personagens, etc.) e, outra vez, ter muita disciplina.

    Um escritor profissional não pode escrever só quando está inspirado, muito pelo contrário, às vezes a inspiração surge pelo esforço em tentar escrever. Não é necessário ser formado em Letras para ser escritor (embora isso ajude), mas fazer cursos na área e estudar as técnicas faz toda a diferença na hora de escrever, invista nisso!

  4. Revisar, revisar, revisar: se você conseguiu finalizar seu livro, ótimo, você deu o primeiro passo. Agora é preciso dar o segundo: revisar. É normal que o escritor não enxergue seus próprios vícios por estar muito acostumado com o texto, então o ideal é deixar o texto “descansar”, ou seja, deixá-lo guardado por um tempo antes de lê-lo outra vez.

    Dar o seu livro para um amigo que entende de literatura ler e tecer críticas também é uma opção. Mas, se você quer enviar para uma editora, vale a pena investir num serviço profissional de revisão, que pode ser de dois tipos: revisão gramatical (o revisor vai corrigir os erros de pontuação, ortografia, concordância, etc.) ou leitura crítica (o revisor vai apontar, além dos erros gramaticais, erros de continuidade, pontos fortes e pontos fracos, trechos que estão muito bons, trechos que precisam ser melhorados, personagens que podem ter mais enfoque, etc). Eu, particularmente, prefiro a leitura crítica por ser mais completa.

  5. Salvaguardar os seus direitos autorais e buscar informações: se sua intenção é publicar um livro, terminar de escrevê-lo e corrigi-lo é só o começo. Cadastrá-lo na Biblioteca Nacional é o passo seguinte. Para não ter perigo de ser prejudicado em questões envolvendo direitos autorais, antes de enviar seu livro para qualquer lugar, cadastre-o como sendo seu.

    O processo é simples, barato (mais informações aqui) e pode poupar muita dor de cabeça! Depois de cadastrá-lo na BN, enviar seu livro para as editoras é o próximo passo. Mas, antes de sair por aí gastando dinheiro com impressões e correios, busque se informar sobre os métodos corretos de envio e quais editoras trabalham com o gênero do seu livro. Acredite, essa é uma dica muito preciosa!

    Normalmente as editoras tem uma página especial explicando como deve ser feito o envio dos originas e também qual a linha editorial (não adianta mandar um romance para uma editora que só publica livros didáticos, por exemplo).

    Tente conversar com pessoas que entendem do mercado editorial e leia sobre o assunto (existem diversos sites e livros falando disso). Uma conversa com um autor profissional também pode ajudar muito quem está começando, principalmente para evitar os erros e decepções mais comuns, como receber aquela cartinha dizendo que seu livro não se encaixa na linha editorial daquela editora.

  6. Ter paciência: falando em erros e decepções, acredito que um dos meus erros principais foi justamente ter sido muito afobada. Assim que terminei de escrever, quis mandar o livro para todas as editoras que eu conhecia, sem nenhum critério. Gastei muito dinheiro com impressões do livro e correios.

    Além da demora para receber as respostas, a maioria delas veio com respostas negativas do tipo: “nosso cronograma já está cheio para os próximos anos”, “seu livro não se encaixa em nossa linha editorial”, etc. Acabei me desanimando e quase parei de escrever.

    Depois, quando a primeira editora aceitou a publicação, fechei o contrato sem pensar duas vezes. Mais tarde tive problemas com isso e me arrependo de ter sido tão afobada, não só pelos problemas contratuais, mas em relação a meu próprio texto. Hoje vejo que poderia ter esperado um pouco mais e amadurecido a escrita, antes de publicar.

    Descobri com tudo isso que a pressa é inimiga da perfeição e que uma das coisas que pode prejudicar um autor estreante pode ser ele mesmo e sua afobação.

    Além disso, a profissão de escritor sempre exigirá paciência, vá se acostumando. Mesmo depois de assinado o contrato, o livro não sai imediatamente. É preciso esperar, cada editora tem seu cronograma de publicação e pode ser que seu livro demore a ser lançado, pois é preciso revisá-lo outras vezes, diagramá-lo, fazer a capa e aguardar o melhor momento para lançá-lo.

  7. Nunca desistir: como eu já disse, meu livro foi recusado por muitas editoras antes de ser publicado, e assim acontece com muitos escritores, inclusive com os famosos (Harry Potter foi recusado por diversas editoras!) por isso não podemos desanimar.

    O mercado editorial é um mercado, ou seja, o interesse é o lucro que seu produto trará, então não desista, faça sua parte apresentando um produto bom e de qualidade, mostre as razões pelas quais ele seria um bom investimento (uma carta de apresentação ajuda muito!) e como você ajudaria a divulgar e vender seu livro (sim, porque como autor estreante você vai ter que ralar muito pra vender seu livro, tá achando que é fácil?

    Eu já disse que escrever é só o primeiro passo, há muito mais a se fazer depois disso!). Hoje em dia as redes sociais são grandes instrumentos de divulgação, aposte nelas e continue na luta até conquistar seu objetivo, você verá que ter seu livro publicado não é fácil, mas é muito, muito gratificante!

Sobre a autora

Francine Cruz nasceu em Curitiba, no dia 18 de julho de 1984. É formada em Educação Física (UFPR), especialista em Atividade Física e Saúde (UFPR) e atualmente acadêmica do curso de Letras Português/Inglês (UTFPR).

Suas maiores paixões são ministrar aulas e escrever. Amor, Maybe (Ícone, 2011) marca sua estréia com sucesso no mundo das histórias românticas.

– Texto extraído do blog da autora

Página Oficial: http://francinecruz.blogspot.com.br/

Facebook: PerfilAmor, Maybe (Fan Page)

Twitter: @FrancineCruzAmor, Maybe

Skoob: Perfil

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.

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4 respostas para 7 coisas que aprendi – por Francine Cruz

  1. Alexandre Lobão disse:

    T.K., divulguei seus dois últimos posts da série 7 coisas e publiquei um novo em meu blog hoje; dê uma conferida!

    Abraços.

  2. Teffo disse:

    UAU! Curti muito as dicas.

    A melhor de todas, pra mim, é “ter paciência”.
    É sempre bom conhecer a experiência de alguém que passou por toda a jornada e agora pode nos aconselhar.

    Fiquei pensando no que a Francine disse… sobre arrependimento.
    Preciso revisar mais.

    Longa vida ao blog.

    • T.K. Pereira disse:

      Estephano,

      Sem dúvida, exercitar a paciência é um dos grandes desafios deste aprendiz de escritor.

      Fico feliz que tenha gostado da contribuição da Francine e o convido a ler as contribuições de outros colegas para a série “7 coisas que aprendi”.

      Há muitos conselhos valiosos e inspiradores compartilhados por aqui.

      Abraços,