7 coisas que aprendi – por Isaac Moreira

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje.  Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, o jovem músico e aprendiz de escritor, Isaac Moreira.

Notei que ficou faltando uma contribuição de um completo iniciante, então escrevo 7 coisas que aprendi nesses últimos dois anos de minha trajetória literária.

  1. Escolha nomes pela sonoridade primeiro:

    “Como assim Isaac? E toda aquela minha pesquisa de vinte anos pra encontrar o nome cuja origem e significado se encaixam perfeitamente em meu personagem?”

    Calma, calma! Essa é uma opinião bem pessoal: em minhas primeiras tentativas como escritor eu escolhia a origem do nome antes de saber como este soaria e percebi que a maioria causava risadas, indo contra o tom sério desejado para a história.

    Por exemplo: Aécio, que significa “Ave de Rapina”, é um nome cuja origem combina muito com um assassino, mas imagine se tal nome soaria amedrontador em uma fantasia medieval.

    Por isso deixo minha mente criar algo antes de buscar esse tipo de significado para um nome. Não quer dizer que ficará perfeito, mas tive muito mais sucesso criando nomes dessa forma – afinal, dar nome é difícil até pra quem vai ter filho.

  2. Aproveite o melhor do seu subconsciente (e anote!):

    Se há algo que me arrependo muito de não ter feito quando era criança é nunca anotar meus sonhos. Não sei se isso acontece com os escritores em geral, mas, de vez em quando, costumo sonhar histórias (quase) inteiras, com começo, meio e fim – isso quando estou semiacordado, naquele momento em que você não quer acordar e perder o seu sonho.

    E como meu subconsciente me deu ideias! De cada quatro histórias minhas, três devem ter vindo de algum sonho e se tornaram bem originais (pelo menos no meu ponto de vista). Teve um sonho maluco no qual você vivia num mundo pós-apocalíptico dominado por ninjas-espaciais vindos do passado?! Anote!

  3. Criar trilhas sonoras para o texto:

    Além de escritor-iniciante, sou músico em uma família de músicos, então é óbvio que escuto música desde pequeno e sou apaixonado por diversos estilos musicais (Ska!). Escuto para estudar, para a jornada de trabalho de todo dia e para escrever.

    Um heavy metal ou power metal ao escrever fantasia medieval ou um folk ao escrever um romance podem te inspirar a criar as melhores histórias.

  4. Ler como se não houvesse amanhã:

    Tem outra coisa que me arrependo de não ter feito (muito) quando era mais novo: ler. Meu despertar para a literatura veio tardiamente (aos 16, 17 anos, mais ou menos).

    Antes disso eu era o cara que lia muito pouco (geralmente livros para a escola ou um ou outro infanto-juvenil) e estava mais ligado a videogames – não que isso tenha sido ruim, já que desenvolvi muito da minha narrativa com os games. Mas, ironicamente, sempre gostei de criar meus mundos e minhas histórias, então eu se tivesse o gosto pela leitura na época teria muito mais bagagem para escrever bem hoje.

    Ler de tudo é essencial para que você desenvolva seu estilo e encontre o seu autor interior. Mesmo se você for mais velho, ande sempre com um livro no metrô ou no ônibus.

  5. Escrever como se não houvesse ontem:

    Acho que a cada dez dicas de autores, onze falam que você deve escrever, não importando o seu nível. Mas é verdade! Quanto mais você pratica melhor você fica.

    Tenho um livro em produção há uns três anos, mas acho que perdi metade desse tempo revisando os três primeiros capítulos. É óbvio que revisar é importante, mas se você fica tanto tempo arrumando o texto, e não criando a história, seu livro só ficará pronto em uma década.

    Crie primeiro; lapide a pedra bruta que é sua história depois!

  6. Não seja o coitadinho:

    Nem comece com esse papinho de “meu texto é horrível, nunca vou ser como o INSIRA AQUI O NOME DE UM AUTOR FAMOSO OU CLÁSSICO”. Primeiro porque você não é o C.S Lewis, o Tolkien nem o Isaac Asimov (mas você pode ter o mesmo primeiro nome, que tal?🙂 ). Você é você; seu texto é seu e nunca vai ser igual ao do seu autor preferido.

    Segundo porque nenhum desses caras começou escrevendo bem, todos, TODOS mesmo, em algum ponto da vida decidiram que escreveriam e batalharam para isso, aprenderam a domar a escrita. Cada um tem seu ritmo, é claro, mas se você estudar e praticar para aprimorar-se a tendência é melhorar, nunca piorar.

    Como músico, sei que o estudo de um instrumento ou teoria musical nunca termina: o mais ancião dos guitarristas sempre tem algo novo para aprender desde que esteja disposto a não estagnar.

    Não estagne! Treine e melhore! Estou tentando não soar como autoajuda (“Você consegue! É só se esforçar!”). Falo de uma realidade, de treino e não somente força de vontade.

  7. Não tenha medo do que acharem do seu texto:

    Existe hater *  pra tudo e em todo lugar. Os haters do seu texto podem ser seus pais ou o troll ** anônimo padrão da internet. Use a máxima que diz que quem odeia sempre odiará (“haters gonna hate”) e continue seu trabalho.

    Expor-se e os seus pensamentos em um texto pode ser assustador (eu mesmo tenho certos problemas com exposição). Mas você decidiu que quer levar sua história ao mundo, certo? Levar o sorriso à criança entediada no seu conto infantil ou aquela gota de suor à testa do leitor do seu suspense. Então faça!

    Não importa se você será um best-seller ou aquele escritor adorado por hipsters *** (eles gostam de alguma coisa, né?), o importante é perder o medo dos haters e fazer a sua arte.

* Hater: gíria para alguém que odeia indiscriminadamente.

** Troll: gíria para alguém que desestabiliza discussões apenas pelo prazer de ver o circo pegar fogo.

*** Hipster: gíria para alguém que se considera inovador, fora do comum ou apenas moderninho.

Sobre o autor

Isaac A. Moreira nasceu em São Paulo no dia 22 de Dezembro de 1993 e mora em São Bernardo do Campo. Cursa Análise de Sistemas na Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) de São Caetano do Sul.

Amante de tecnologia, games, literatura e música, ele gosta de escrever fantasia medieval e ficção cientifica. No momento está produzindo um livro, mas já possui alguns contos em seu blog.

Blog: http://skyisaac.wordpress.com/

Facebook: https://www.facebook.com/isaac.alvesmoreira

Twitter: @IsaacAMoreira

Goodreads: perfil

Skoob: perfil

SkyNerd: perfil

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.

Continue a escrever aqui.

6 respostas para 7 coisas que aprendi – por Isaac Moreira

  1. Felipe Lopes dos Reis disse:

    Adorei as dicas; toda a facilidade de entendê-lo, o humor; tem “aquele jeitinho” que parece uma conversa e não um texto.

    Suas dicas foram muito legais e estou indo para seu blog agora. “Continue assim. Você consegue!”.😀

  2. Dayla Assuky disse:

    É difícil eu ler um texto até o fim na net; não gosto de ler na tela do PC, mas, bem… li o seu. Gostei da maneira de informar como quem fala. Bem escritor, motivador e realístico.

    Continue com o blog. Vou dar uma olhada em seus contos.🙂

    Sucesso!

  3. isaac-sky disse:

    Muito obrigado pela oportunidade, Escriba. Espero poder ajudar quem também está começando nesta longa caminhada que é a escrita.

    • T.K. Pereira disse:

      Eu é que agradeço, Isaac. Como costumo dizer, toda contribuição é valiosa para este aprendiz de escritor.

      E pelo sucesso da série “7 coisas que aprendi”, vejo que para outros também.😉

      Abraço.